quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Javali no Machado

Descobri qual a grande diferença de cozinha mágica para uma cozinha dita normal. Na hora de colocar ingredientes colocamos coisas que não teriam lógica gastronomicamente falando, mais faz sentido se ouvirmos os Deuses.

Eu tenho um amigo que a muito pouco tempo descubriu ser regido pelo Deus Odin. “Odin (Wotan, ou Woden) era o maior dos deuses germânicos, governante de Asgard e senhor da magia. Possuía a lança Gungnir, que nunca errava o alvo e em cujo cabo havia runas que ditavam a preservação da lei. Possuía também um cavalo de oito patas chamado Sleipnir.” (fonte: Wikipedia)

Bom tudo isso por que fizemos um javali em honra a ele. Aqui vai nossa receita mágica.

 

Javali no Machado

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Ingredientes:

  • 2 picanhas de javali
  • 500 ml de cerveja (com memória afetiva)
  • 2 cebolas cortadas em gomos
  • Mel a gosto
  • 2 pimentas cumari amassadas grosseiramente
  • 1 bandeja de cogumelos in natura
  • Manteiga (com alto teor de gordura como aviação)
  • Azeite

Modo de Preparo:

Limpe o javali, coloque numa bowl a cerveja, pimenta cumari, mel e o sal. Deixe marinar por no mínimo 30 minutos. Numa panela, coloque a manteiga e o azeite com as cebolas até estas dourarem. Frite cada picanha individualmente até dourar ambos os lados. Volte à panela, as picanhas, o resto da marinada e a cerveja. Quando amolecer, acrescente os cogumelos e destampe a panela até o molho ficar ralo.

Corte a picanha e sirva com o molho de cogumelos.

Ah sim, harmonizamos  com a deliciosa cerveja Colorado Appia e Batatas Assadas com um molho frio de Rabanetes e outro quente com creme de leite e bacon.

Até onde eu sei Odin ficou muito feliz!!!!

sábado, 14 de agosto de 2010

Risotos & Vinhos

Para mim férias só é férias se tem uma aula de gastronomia no   meio. Ontem fui no Viandier fazer uma aula de risotos (a bem pouco tempo estou me metendo a fazer risoto mais não acertava o ponto) e harmonização com vinhos. “Taillevent chef de reis escreveu Le Viandier, primeiro livro gastronômico francês de que se tem registro em 1380”. Dai o nome da escola.

Você entra é super bem recebido, te oferecem um café e apresentam o local. O Chef Gustavo Inglesias (fundador e dono) fica na cozinha preparando os brodos (caldos para fazer o risoto). Quando todos os alunos chegam vamos para a cozinha/escola. Lá o Chef explica como são feitos os caldos e ensina truques e onde conseguir as carcaças de peixes, frangos. Em seguida veem a parte mais legal: COZINHAR! Como estavamos em 4 cada um fez seu risoto. Eu peguei o Risoto de Brie com morangos e espumante. O truque para não queimar o óleo por exemplo é misturar manteiga e azeite e em seguida misturar a cebola. Também aprendi que o vinho tem que evaporar todo pois senão o risoto fica amargo e o risoto só fica pronto quando fica transparente. Fica um ajudante para nos acessorar junto com o Chef e uma moça serve as bebidas.

110610 risotto de morangos O gostoso que Gustavo além de ver o desempenho dos alunos, ele nos olha focado no potencial culinário de cada um. Eu já estava bebinha com o espumante mais sentindo que meu risoto tinha ficado muito legal. Sentamos e provamos os 4 risotos em queneles (colheradas) com um vinho branco e a esta altura eu pedi água senão não seria boa idéia. Aí nosso chef gente boa fez o Arancini (bolinhos de risoto), primeiro ele fez com o de bacalhau e em seguida o de brócolis e com camarão de recheio que foi o mais gostoso. Pois era crocante por fora e macio e úmido por dentro. Voltei para casa sentindo que tinha mudado de alguma forma minha forma de sentir e cozinhar risotos.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Como uma figurante de Blade Runner

Fui no delicioso bairro da Liberdade. O bom de ir sozinha, com todo respeito aos meus amigos que só vão na Loja de Mangá, deu pra fazer um passeio meio intimista.

Primeiro fui numa yakissobateria chamada Mussashi, além de ser baratissímo, como um Tempurá de Camarão e Lula ser 4,99 é super gostosinho. Você paga no caixa e sobe numa salinha meio moderninha e você é atendido no melhor sistema Starbucks da vida, pelo seu nome. Intimidades do mundo moderno. Eu sentei perto de uma janelinha onde se via a cozinha, como curto estas viagens gastronomicas, vi os cozinheiros fritando num fogão de alta pressão o macarrão, outro pondo o molho e um terceiro mergulhando os tempurás em panelas de frituras. Num minuto me veio a cena de Blade Rubladerunnernner, para quem não conhece é um filme cult dos anos 80. E por ter pouquissimo orçamento muita coisa era feita na chuva e na penumbra e se passava em Los Angeles de 2019. Por um segundo queria que chovesse. Terminada a refeição que era um Combo de Yakissoba, Yakimeshi e 3 gyosas lá fui eu no Sogo. Que o nome me lembra Barbarella… Bom esta comparação fica pra próxima postagem.

Vendo as lojinhas, senti que precisava de um objeto mágico. E lá fui eu ver Maria, a melhor vendedora que conheci. A loja é uma gótica chamada Profecias. Uma vez comprei um athame lá e minha melhor amiga falou que tinha que tirar a energia porque a loja mexia com satanismo (por sermos pagãs não acreditamos nem em Cristo e muito menos anti-cristo). Um tempo depois esta mesma amiga me liga chamando Maria de grande bruxa e o escambau. Lá comprei um pentagrama novo. A própria Maria o consagrou. Voltei para casa me sentindo renovada e mais protegida.

sábado, 7 de agosto de 2010

Mani oca

Fiz algo que a muito tempo eu já queria… Visitei o Restaurante Mani, sobre o comando da Chef Helena Rizzo. Primeiro você chega numa decoração mediterrânea. O serviço excelente, basta você olhar para qualquer garçon ou falar “por favor” bem baixinho, já tem alguém te atendendo.

O ambiente é completamente feminino, desde  da toalha de papel com figuras como azeite temperado e frutas orgânicas até como são servidas as comidas, como a xícara de chá com desenho de formiguinhas.

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Agora vamos ao melhor… A comida. De couvert paezinhos naturebas (que anda em alta nos restaurantes), na cestinha pão quentinho com gergelim, pão com tamara e um tipo mandiopan e de acompanhamento manteiga com talvez uma flor de sal, coalhada com paprika e mais um queijo com pimenta rosa. Em seguida Polvo a Galega servidos com palmito pupunha e azeite.

O prato principal eu e minha irmã dividimos um Bobó a Mani que continha purê de mandioquinha (excelente), camarões (um pouquinho salgado) e cogumelos shiitakes e uma surpresa Risoto de Beterraba, o que deveria ser um risoto árboreo com água de beterraba, nossa excelente chef fez um risoto sem dever a nenhum italiano, pois a textura era cremosa e saborosa e a betmanierraba dava um quê a mais.

E encerramos com um chá de maracujá e gengibre servidos com xícaras com formiguinhas e quadradinhos de bolos de fubá.

O que fica no Mani para mim foi uma cozinha com ideologia e personalidade porém sem abandonar a comfort food. Pois tanto comendo o purê de mandioquinha como o risoto você volta um pouco para a saborosa e nutritiva comida da mamãe.

Helena Rizzo provou que além de fazer uma cozinha com terroir (com valor da nossa terra), também é possível confortar e acolher.

Obrigada Helena por suas comidas mágicas que podem mudar o mundo.